Sobre o Moodle
O Moodle é um software para gestão da aprendizagem e de trabalho colaborativo, permitindo a criação de cursos online, páginas de disciplinas/cursos, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem. Está em desenvolvimento constante, tendo como filosofia uma abordagem social construtivista da educação. Tem diversos nomes tais como Course Management System (CMS) e ainda Learning Management System (LMS) ou Virtual Learning Environment (VLE). Os utilizadores finais só precisam de um navegador de Internet.
O Moodle é Open Source e livre, sendo distribuído sob a GNU Public License. Isto significa que apesar de possuir um copyright, pode ser redistribuído e o seu código fonte alterado ou desenvolvido para satisfazer necessidades específicas, desde que sejam seguídas algumas regras, como por exemplo:
- provide the source to others (disponibilizar o código-fonte a terceiros);
- not modify or remove the original license and copyrights (não modificar ou retirar a licença original e os direitos de autor);
- apply this same license to any derivative work (aplicar o mesmo licenciamento a qualquer trabalho derivado deste).
O Moodle funciona em qualquer computador que tenha PHP instalado, podendo suportar diversos tipos de bases de dados (em particular
MySQL?).
A palavra Moodle referia-se originalmente ao acrónimo: "Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment", que é especialmente significativo para programadores e investigadores da área da educação. Em inglês a palavra Moodle é também um verbo que descreve a acção que, com frequência conduz a resultados criativos, de deambular com preguiça, enquanto se faz com gosto o que for aparecendo para fazer. Assim, o nome Moodle aplica-se tanto à forma como foi feito, como à forma como um aluno/formando ou docente/formador se envolve numa disciplina/curso "em-linha". Quem utilizar o Moodle é um chamado Moodler.
O cenário português
O ensino básico e secundário
O Moodle em Portugal encontra-se bastante difundido pelas escolas do básico e secundário. Através dos Centros de Competência, várias escolas têm a oportunidade de trabalhar com o Moodle sem custos adicionais. A Unidade de Missão CRIE (Computadores, Redes e Internet na Escolas) tem apoiado também o processo através da adopção do Moodle como ferramenta de trabalho colaborativo e de formação de professores.
O ensino superior
A nível superior, a concorrência entre LMS é maior, existindo diversas Universidades com soluções comerciais. O Gabinete de apoio a projectos do PAOL (Projecto de Apoio online) do ISCAP realizou em 2005 (confirmar data) uma análise do panorama nacional no que se refere às plataformas utilizadas por instituições do ensino superior. Os resultados da análise podem ser consultados na Página do projecto, que abordou um universo de 300 instituições, tendo sido consultados os sites institucionais para recolha de informação.
As empresas e outras organizações ligadas à formação
Face ao custo relativamente reduzido de instalação do Moodle (ausência de custos de licenciamento), várias organizações têm optado por esta solução. Vários centros de formação de professores já contam com uma plataforma Moodle onde oferecem cursos. O Prof2000, um programa de formação de professores a distância e de apoio às TIc nas escolas usa o Moodle na sua oferta formativa. A ed-rom, uma empresa que oferece alojamento do Moodle, tornou-se Moodle partner em 2006 (confirmar data).
O cenário internacional
A nível global, tem-se assistido a um uso exponencial do Moodle, como é comprovável através das estatísticas de download do serviço em Moodle Statistics e ao número crescente de referências nos vários motores de busca (>10.000.000 no Google em Fevereiro de 2007)
A Open University do Reino Unido iniciou em 2006 um projecto de grande escala, com a implementação duma solução Moodle para os alunos da instituição. Com o apoio da Fundação William and Flora Hewlett, esta instituição iniciou também um projecto de partilha de recursos educativos abertos designado Open Learn. Associado a este projecto está o Labspace, um espaço para partilha de cursos.
Actividades
As actividades são um dos pontos fortes do Moodle enquanto ferramenta de aprendizagem. Tendo em conta a filosofia subjacente, seria de esperar um conjunto de ferramentas de comunicação e discussão variado (Fóruns, Chats, Diálogos), assim como de avaliação e de construção colectiva (Testes, Trabalhos, Workshops, Wikis, Glossários), não esquecendo a instrução directa pura e dura, que não é necessariamente má (Lições, Livros, actividades SCORM) ou de pesquisa e opinião (Votações, Referendos, Questionários).
Para além deste conjunto de actividades distribuídos na main release, a comunidade Moodle está continuamente a desenvolver novas actividades e outras funcionalidades para o sistema, que podem ser acedidas em CVS da Sourceforge.
Vejamos agora um apanhado global das actividades do Moodle e as suas possibilidades no contexto de colaboração e aprendizagem:
Os fóruns são uma ferramenta de discussão por natureza, mas podem ter outro tipo de uso, como por exemplo uma mailing list, um blog, um wiki ou mesmo um espaço de reflexão sobre um determinado conteúdo.
Os fóruns do Moodle podem ser estruturados de diversas formas (discussão geral, uma única discussão, sem respostas, etc.) e podem permitir classificação de cada mensagem. As mensagens podem também incluir anexos.
O Chat permite uma comunicação síncrona, em tempo real, entre professores/formadores e alunos/formandos. Pode ser útil como espaço de esclarecimento de dúvidas, mas pode ter outros usos. A sessão de chat pode ser agendada, com repetição.
O diálogo torna possível um método simples de comunicação entre dois participantes da disciplina/curso. O professor/formador pode abrir um diálogo com um aluno/formando, um aluno/formando pode abrir um diálogo com o professor/formandor, e ainda podem existir diálogos entre dois alunos/formandos.
Os testes podem ter diferentes formatos de resposta (V ou F, escolha múltipla, valores, resposta curta, etc.) e é possível, entre outras coisas, escolher aleatoriamente perguntas, corrigir automaticamente respostas e exportar os dados para Excel. O criador tem apenas de construir a base de dados de perguntas e respostas. É ainda possível importar questões de arquivos txt seguindo algumas regras.
Os Trabalhos permitem ao professor/formador classificar e comentar na página materiais submetidos pelos alunos, ou actividades 'offline' como por exemplo apresentações. As notas são do conhecimento do próprio aluno/formando e o professor/formador pode exportar para Excel os resultados.
O Wiki, para quem não conhece a Wikipédia, torna possível a construção de um texto (com elementos multimédia) com vários participantes, onde cada um dá a sua contribuição e/ou revê o texto. É sempre possível aceder ás várias versões do documento e verificar diferenças entre versões.
O glossário permite aos participantes da disciplina/curso criar dicionários de termos relacionados com a disciplina/curso, bases de dados documentais ou de arquivos, galerias de imagens ou mesmo links que podem ser facilmente pesquisados.
A lição tenta associar a uma lógica de delivery uma componente interactiva e de avaliação. Consiste num número de páginas ou slides, que podem ter questões intercaladas com classificação e em que o prosseguimento do aluno/formando depende das suas respostas.
Os livros permitem construir sequências de páginas muito simples. É possível organizá-las em capítulos e sub-capítulos ou importar arquivos html colocados na área de diretórios da sua página. Caso as referências dentro destes html (imagens, outras páginas, vídeo, áudio) sejam relativas, o livro apresentará todo esse conteúdo.
SCORM é uma colecção de regras e especificações que o Ministério da Defesa Norte-Americano e diversas empresas privadas definiram e adaptaram de várias fontes, de forma a uniformizar e fornecer um conjunto de possibilidades nos conteúdos de e-learning, nomeadamente interoperabilidade, acessibilidade ou reutilização. Com o SCORM é possível importar para o Moodle conteúdos de e-learning já produzidos, ou partilhá-los com colegas.
As votações consistem num conjunto de instrumentos de consulta de opinião aos alunos/formandos inscritos numa página, fornecendo uma forma de assessment da aprendizagem bastante rápida.
O referendo pode ser usado de diversas formas, como recolha de opinião, inscrição numa determinada actividade, entre outras, sendo dado aos alunos/formandos a escolher de uma lista de opções (até um máximo de 10) definida pelo professor/formador. É possível definir um número de vagas por opção.
Os questionários permitem construir inquéritos quer a participantes de uma página, quer a participantes que não estão inscritos no sistema. É possível manter o anonimato dos inquiridos, e os resultados, apresentados de uma forma gráfica, podem ser exportados para Excel.