A gestão de Conteúdos na Abordagem ZOPE
Uma das principais contribuições da gestão de conteúdos é a possibilidade de se construir portais de colaboração com simplicidade. Num portal de colaboração os utilizadores fornecem o conteúdo, colocando-o para outros utilizadores. Geralmente para publicar informação num portal colaborativo, seguimos as seguintes etapas:
- Autenticação – Para publicar informação, é necessário identificar-se, via nome de utilizador (login) e senha (password). Abre-se então uma sessão onde cada utilizador dispõe de direitos de actuação, atribuídos conforme o seu papel na comunidade. Acedemos assim a um espaço privado do portal.
- Composição – Uma vez identificado. O utilizador dispõe de ferramentas para criar e editar o conteúdo via interface Web de gestão de conteúdos. Na criação de conteúdo devemos escolher o tipo de informação que queremos publicar, notícias, eventos, oferta de emprego, artigo, etc. O utilizador pode levar o tempo necessário para redigir o seu conteúdo. Este conteúdo não estará disponível à comunidade enquanto o seu criador não indicar que deseja partilha-lo com a comunidade ou com um grupo específico.
- Moderação – Uma vez criado o conteúdo, o utilizador poderá submete-lo para publicação. De acordo com o tipo de informação e regras em vigor no portal, a informação é posta directamente a disposição do público-alvo, ou sujeita à aprovação de um moderador (revisor). Sempre que o moderador esteja autentificado no sistema pode consultar o conteúdo “em espera de validação” e decidir então validar ou rejeitar a sua publicação.
- Publicação – Após a publicação do conteúdo, este fica poderá ficar imediatamente disponível para a comunidade. Ele é organizado automaticamente no portal e correctamente indexado em função do seu tipo, workflow e metadados.
Zope e CMF
O Zope é uma plataforma de desenvolvimento de aplicações baseada em Python, integra um grande número de ferramentas e funcionalidades das quais uma base de dados objecto, um módulo de publicação de objectos Web, e uma linguagem de criação de páginas dinâmica.
Contrariamente a outras soluções do mercado, a finalidade de Zope não é publicar páginas HTML mas objectos que podem ser criados automaticamente a partir de componentes cujo o comportamento, dados e aparência são configurados pela equipa de desenvolvimento do portal. Esta abordagem torna Zope mais apto à publicação de conteúdos Web que outros produtos. O CMF pode ser comparado a uma caixa de ferramentas destinadas à gestão de conteúdos, permitindo aos gestores do portal construí-lo e mantê-lo eficazmente. Apesar das potencialidades do CMF é necessário customiza-lo, pois após instalado não se traduz na solução ideal a todos os casos.
CMF e Plone
O CMF fornece componentes que são aplicações Zope especificas, com interfaces conhecidas, e que a equipa de desenvolvimento de aplicações de gestão de conteúdo pode utilizar directamente via Web, ou desenvolvendo os seus próprios componentes. A principal vantagem é o ganho de produtividade da equipa de desenvolvimento. Estes não precisam de reinventar a roda, e as aplicações colaboram facilmente já que se apoiam sobre um referencial de componentes com interfaces conhecidas. Assim sendo a equipa de desenvolvimento pode criar os seus componentes, e até alterar/substituir os componentes fornecidos como padrão.
Por exemplo, o componente que fornece a segurança dos utilizadores da aplicação poderá ter diferentes interfaces conforme as informações sejam armazenadas na base de dados do Zope, ou em base SQL ou directório LDAP. O CMF é assim uma solução flexível que permite integrar e desenvolver produtos de modo a criar o portal colaborativo que mais se adequa a comunidade em questão.
Plone é um sistema de gestão de conteúdos (CMS – Content Management System) livre e código aberto que inclui um sistema de workflow, segurança, funções pré configuradas, vários tipos de conteúdos e suporte a vários idiomas. Os principais objectivos do CMS são permitir uma fácil criação, publicação e retorno de conteúdo que se ajuste às necessidades requeridas.
O Plone não substitui o CMF, ele complementa as suas funcionalidades e interfaces. A notoriedade do Plone parece ter vencido toda e qualquer resistência de utilização pela comunidade Zope.
Considerações finais
Poder gerir o conhecimento com o apoio de ferramentas avançadas em intranet não é mais um privilégio das grandes organizações. Com a evolução do software livre surgiram nos últimos anos opções atractivas tanto do ponto de vista financeiro quanto tecnológico, que utilizam padrões internacionais de representação de informação. Ferramentas que podem ser estendidas na medida das necessidades de cada organização, já que os códigos não são fechados. Como os objectos destas ferramentas são os conteúdos vitais para os processos de gestão é interessante que estes estejam representados em formatos abertos e certificados pelas instituições de padronização internacionais. Não é interessante para uma organização aprisionar-se atrás de formatos proprietários todo o seu conhecimento explícito.
Desde a sua origem, Zope é uma tecnologia aberta adaptada à gestão de conteúdos. O Zope ao longo dos anos melhorou as funcionalidades do servidor de aplicações, e dispõe hoje de um framework, o CMF, para construir boas soluções de gestão de conteúdos. A abordagem de utilização do Zope para gestão de conteúdos é a de construir utilizando tijolos básicos, interfaces que respondam ás necessidades de uma aplicação específica. Assim obtêm-se um sistema de gestão de conteúdos totalmente adaptado ás necessidades de cada organização.